domingo, 29 de julho de 2012

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sábado, 28 de julho de 2012


Segue abaixo um artigo que foi apresentado em formato de Pôster no evento educacional Web Currículo realizado em 2010 na Pontíficia Universidade Católica de São Paulo

Formação de Professores para a educação à distância: ensino e aprendizagem, caminhos cruzados

Autoras: Glaucia Berton Dagostino
Regina Maria de Sousa Lima

RESUMO
Esta pesquisa dedica-se ao estudo dos processos de formação de professores que atuam na Educação à Distância. O objetivo é contribuir com a literatura especializada através da produção de estudo deste tema, a fim de propor uma formação de professores em EaD com foco nos processos de aprendizagem dos alunos. Temos como problema de pesquisa: Quais teorias e metodologias que norteiam a formação de professores para processos educacionais à distância centrados na aprendizagem dos alunos? Adotou-se uma abordagem de pesquisa qualitativa. Especificamente será realizado um estudo de caso de um curso de formação de professores para EaD. Os instrumentos de pesquisa adotados para a coleta dos dados são: análise documental (Proposta Pedagógica, ementas e documentos acerca do curso estudado); entrevistas semi-estruturadas com professores, coordenação e alunos do curso; levantamento e revisão bibliográfica do tema estudado. Neste momento a pesquisa encontra-se em fase de levantamento da bibliografia especializada do tema. Desta forma, destaca-se que é de extrema importância o conhecimento adequado a respeito dos processos de formação dos professores que trabalham na modalidade à distância, de maneira que haja qualidade e foco no processo de aprendizagem das ações deste campo da educação.
Palavras-chave: Educação à Distância, formação de professores, aprendizagem.

INTRODUÇÃO
Observamos na atualidade significativas transformações sociais, culturais e tecnológicas. Este contexto, afeta diretamente o campo da educação, que conseqüentemente acaba por ter de responder às novas demandas e necessidades sociais; desenvolver metodologias alternativas de ensino, entre outras atividades.
Uma das grandes transformações que a sociedade vem passando é no campo das novas tecnologias. Nas últimas décadas, houve uma evolução significativa nos recursos informatizados e que afetam diretamente a área da educação, tanto no que diz respeito a novas fontes e acessos ao conhecimento, assim como em novos ambientes de ensino e aprendizagem.
O acesso às informações e conhecimento tomou uma velocidade acelerada e na medida em que o tempo passa, muita coisa se torna obsoleta, de forma que o aperfeiçoamento passa a ser essencial para que a qualidade na educação seja mantida. Ao mesmo tempo em que as novas tecnologias trouxeram inovações e benefícios para a área da educação, possibilitando acesso ao conhecimento de qualquer lugar do mundo, oferecendo novas oportunidades a cidadãos que careciam de certos recursos por conta de espaço e tempo, se não forem bem aproveitadas, dirigidas, distribuídas e estruturadas acabam por criar uma nova modalidade de exclusão, a digital.
Sendo assim, a educação está entrelaçada a esse contexto, e precisa fazer com que estes novos recursos oferecidos sejam usados como ferramentas que melhorem a qualidade na educação. As novas tecnologias podem ser um instrumento facilitador da comunicação que contribui para a troca de informações e conseqüentemente caracteriza um processo educacional participativo, e ao menos minimizando a exclusão que muitos brasileiros ainda se deparam.
Diante da situação apresentada, a educação tem o papel de sistematizar o uso das Novas Tecnologias a seu favor, de maneira que contribua significativamente para a formação de cidadãos atualizados e que sejam capazes de acompanhar tais transformações e inserir-se na realidade que a globalização estabelece.
Habermas (1989, p.122), afirma que:

[...] a escola precisa acompanhar as mudanças que vem ocorrendo no mundo, pois esse é um dos caminhos para alcançarmos uma educação de qualidade e que integre o aluno nessa realidade. [...] as novas tecnologias precisam estar presentes na escola e a comunidade escolar precisa estar preparada para utilizar todos os recursos possíveis a favor da aprendizagem do aluno.

Diante do tema em questão, este estudo tem como objetivo defender uma formação de professores para processos educacionais à distância que tenha como foco a aprendizagem do aluno.

PROBLEMA DE PESQUISA E METODOLOGIA

Optou-se por analisar e indicar a relevância na formação de professores para os processos educacionais à distância centrados na aprendizagem do aluno. Sendo assim, como problema de pesquisa foi apresentado: Quais as teorias e metodologias que norteiam a formação de professores para processos educacionais à distância centrados na aprendizagem dos alunos?
A partir do tema Formação de professores para a educação à distância: ensino e aprendizagem, caminhos cruzados, foi definido como foco de estudo a identificação e compreensão do processo educacional á distância que tenha como foco a aprendizagem efetiva do aluno e não apenas os esforços dos mais diferentes cursos centrados em como se desenvolverá o ensino à distância.
Para tal estudo, adotou-se uma abordagem de pesquisa qualitativa, a qual favorece a compreensão holística do processo educacional à distância centrado em uma formação de professores com vistas à aprendizagem efetiva do aluno.
Especificamente, a pesquisa está em fase inicial do desenvolvimento, que volta-se para o estudo de caso de um curso de formação de professores para a Educação à Distância, com o nome de Oficina de Tutores: A formação do professor em EaD.
Os instrumentos de pesquisa adotados para a coleta dos dados são:
·      A análise documental (Proposta Pedagógica, ementas e demais documentos elaborados acerca do curso estudado).
·      Entrevistas semi-estruturadas com professores, coordenação e alunos do curso.
·      Levantamento e revisão bibliográfica sobre o tema estudado.

A metodologia qualitativa foi adotada com o propósito de conhecermos mais a fundo a organização do curso e suas práticas relacionadas à educação à distância centrada na aprendizagem efetiva dos alunos.


JUSTIFICATIVA DO TEMA E REFERENCIAL TEÓRICO
Atualmente, nos deparamos com uma série de ofertas em cursos á distância nas mais diferentes áreas. A demanda que procura este tipo de formação também é bem diversificada, desde alunos que os procuram diante do baixo custo da mensalidade até alunos que não podem estar presencialmente estudando em alguma instituição.
Mediante essa multiplicidade de oferta e demanda, um ponto comum, pelo menos na maioria dos cursos de EaD que nos deparamos, o processo educacional está centralizado no ensino do aluno, desassociando-se do processo de aprendizagem, ou seja, é estabelecida uma relação vertical de atividades que o professor/tutor estabelece e cabe aos alunos executarem, pois assim, espera-se que eles assimilem o conteúdo necessário.
Decorrentes das décadas de 70, muitos aspectos da estrutura dos cursos de EaD possuem um modelo de educação baseado nos princípios do fordismo e taylorismo, incentivando muitas pessoas a adotarem a sua prática e concepção de educação, um modelo industrial de EaD. Podemos perceber isso através da concepção do autor Peters (1973, p. 28), a educação à distância [...] pode ser mais bem entendida a partir de princípios que regem a produção industrial, especialmente os de produtividade, divisão de trabalho e produção de massa.
Na educação à distância, a relação professor e aluno constitui-se por alguns aspectos essencialmente diferentes do ensino presencial: a) regras instrucionais mais do que por relações sociais, b) pouco ou nenhum conhecimento das necessidades do aluno, c) as atividades são construídas a partir de orientações e diretivas e não no contato humano, e d) os objetivos são avaliados pela eficiência e produtividade e não pela interação pessoal:

[...] nota-se uma ênfase excessiva nos processos de ensino (estrutura organizacional, planejamento, concepção de metodologias, produção de materiais etc) e pouca ou nenhuma consideração dos processos de aprendizagem (características e necessidades dos estudantes, modos e condições de estudo, níveis de motivação, etc). Pode-se dizer que as práticas propostas e/ou descritas por estes modelos referem-se muito mais aos sistemas “ensinantes” do que aos sistemas “aprendentes” (CARMO, 1997, p. 30)
Sendo assim, muitos cursos apesar de formarem milhares de alunos acabam não garantindo a aprendizagem eficaz do corpo discente. A educação à distância, é uma modalidade de educação, e não é por isso que foge dos princípios da educação convencional, vista aqui, de acordo com Moore (1990, p. 125), como [...] uma relação de diálogo, estrutura e autonomia, a modalidade à distância tem apenas outros instrumentos de interação que se modificam constantemente de acordo com a evolução.
Outro aspecto importante da EaD, é que ela lida com alunos adultos, ou seja, as estratégias de ensino não podem ser as mesmas de crianças e jovens, é necessária uma atenção especial ao que os alunos trazem consigo no momento da aprendizagem no curso. Os conteúdos não podem ser simplesmente impostos como conhecimentos necessários para aquisição de certa habilidade. Abaixo podemos verificar essa mesma linha de raciocínio; de acordo com Trindade (1992, p. 27):

A experiência adquirida no campo da educação de adultos revelou que os métodos pedagógicos para crianças e jovens não se mostram adequados para adultos: a razão disto é que o modelo pedagógico é essencialmente heteronômico, dado que a relação educativa é estabelecida por um controle externo agindo sobre o sujeito, enquanto o modelo andragógico é sobretudo “autonômico” e autodirigido. Adultos acham em si mesmos as motivações para, e as necessidades de, aprender, e o processo de aprendizagem não pode ser imposto por fontes externas independentes, nem ignorar as habilidades e competências já adquiridas e as condições de vida (situação familiar, profissão, meio social) do indivíduo.

Em decorrência do cenário apresentado, faz-se necessária a desconstrução do “industrialismo instrucional dominante” a favor da construção e estruturação de um modelo de educação à distância que conserve os princípios de uma educação contínua, formativa e critica dos alunos. Para isso é necessária um formação de professores adequada, que saibam lidar com as novas tecnologias e a vejam como recursos adicionais para que o aluno aprenda, o foco do professor precisa ser a aprendizagem do aluno e as novas tecnologias tem o papel de ferramentas inovadoras que motivem e incentivem o alunado a desenvolver suas competências necessárias para o curso em questão.
De acordo com BELLONI (2003, p. 35):

Um processo de ensino e aprendizagem centrado no estudante será então fundamental como princípio orientador de ações de EaD [...] entendida como uma modalidade importante nos sistemas de formação, da mesma forma que o uso intenso e inovador das tecnologias de informação e comunicação e a disponibilização de recursos educacionais (mediatecas, centros de recursos técnicos, monitorias e tutorias) de forma ampla e democrática.

EXPECTATIVAS DE RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa está em fase de levantamento da bibliografia pertinente ao tema.
Conforme citado anteriormente, existe uma relevância em estudar e discutir a importância do foco na aprendizagem dos alunos de educação à distância. Este dado reforçou a importância de analisar o tema proposto, pois se não houver um conhecimento adequado a respeito dos processos de formação dos profissionais que trabalham em setores de educação à distância, certamente faltarão condições básicas para uma análise crítica da importância, abrangência e qualidade das ações do campo em questão.
Acreditamos que ao fim da pesquisa, teremos condições de analisar e sugerir novas propostas de formação de educadores para a educação à distância centradas no processo de aprendizagem dos alunos.
Para que isso aconteça, é necessário que os professores promovam um ambiente coletivo que, de acordo com Marcos Masetto (2003, 48), proporcione:

Um relacionamento que permita a professores e alunos trazerem suas experiências, vivências, conhecimentos, interesses e problemas, bem como análises das questões para serem interpretadas e discutidas. As conclusões devem, portanto, ser sistematizadas, organizadas, servindo de encaminhamento e pistas para ações de profissionais competentes e cidadãos

Conforme explicitado acima, o papel do professor em aula é de organizador e mediador das mais diversas informações que vêm dos alunos a fim de estruturar o conhecimento e assunto que será aprendido pelos alunos, associando à realidade, debatendo e discutindo, ou seja, criando um ambiente de troca de experiência entre todos os sujeitos, alunos e professor, a fim de torná-los indivíduos e profissionais competentes e críticos.
Para que o processo de aprendizagem na EaD seja eficaz e profícuo é necessário que o professor planeje seu trabalho através de diferentes técnicas e estratégias que visem atingir todos os níveis de aprendizagem dos alunos, uma vez que cada um tem seu ritmo e tempo para assimilar as informações. As novas tecnologias são ferramentas de enorme potencial para promover tal ambiente proposto acima, cabe ao professor adquirir essa competência e usufruir de uma formação adequada com vistas aos objetivos que este estudo defende.
À luz das reflexões feitas acima, pode-se dizer que estudo e pesquisa do curso descrito na metodologia a ser adotada tem a expectativa de analisar, discutir e propor, através do curso a ser estudado em questão, em uma perspectiva de metodologia ativa e participante em educação à distância, baseada em um ambiente virtual de encontro e de relações horizontais entre alunos e professores, que trocam experiências, opiniões e sentimentos diversos em torno de determinados temas, através de técnicas e estratégias interativas que visam a construção coletiva do conhecimento, conseqüentemente promovendo a aprendizagem eficaz dos aprendizes em cena. 

BIBLIOGRAFIA

BELLONI, Maria Luisa. Educação a Distância. São Paulo: Ed. Autores Associados, 2003.

CARMO, H. Ensino Superior a Distância. Lisboa: Universidade Aberta, 1997

HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.

MASETTO, M, T. Competência Pedagógica do Professor Universitário. São Paulo: Summus, 2003.

MOORE, M. On a Theory of Independent Study, in BELLONI, Maria Luisa. Educação a Distância. São Paulo: Ed. Autores Associados, 2003.

PETERS, O. Distance Teaching and Industrial Production: A Comparative Interpretation in Outline. In: BELLONI, Maria Luisa. Educação a Distância. São Paulo: Ed. Autores Associados, 2003.

TRINDADE, A. A Universidade Aberta: Um Sistema de Comunicação Multi-Mídia, in SINAL, nº 0. IPED – Instituto Português de Educação a Distância, 1984.

O aluno da era digital...

Pra começar as reflexões de meu novo blog, vou começar com o tema que, atualmente, está presente em meu dia a dia de uma forma muito ativa e viva: Novas Tecnologias na Educação...
Eu deixo esse vídeo abaixo, como um início de uma reflexão, que, nos tempos atuais, dificilmente terá um fim, mas sim, maneiras e novas formas de enxergar o contexto educacional atual...
Professores, vamos olhar em volta e perceber que muitas coisas mudaram...nós gostando, ou não...